Por que 'Cidade Maravilhosa'?

Por que 'Cidade Maravilhosa'?

O apelido mais famoso do Brasil nasceu numa crônica de 1908, virou marchinha de Carnaval em 1935 e hoje é hino oficial. A história por trás de três palavras.

Todo mundo repete "Cidade Maravilhosa", mas quase ninguém sabe que o apelido tem autor, data e uma disputa centenária sobre quem o cunhou primeiro.

A Origem: Uma Crônica de 1908

O escritor Coelho Neto publicou em 1908 um livro de crônicas chamado A Cidade Maravilhosa, descrevendo o Rio de Janeiro com o deslumbramento de quem redescobria a própria cidade. É a primeira referência documentada ao título. Antes dele, porém, a poetisa francesa Jeanne Catulle-Mendès visitou o Rio em 1912 e publicou versos que exaltavam a baía e o Pão de Açúcar — alguns historiadores atribuem a ela a popularização internacional do termo, embora cronologicamente Coelho Neto tenha precedência.

Há quem cite ainda registros mais antigos em jornais franceses do século XIX, quando diplomatas europeus descreviam a entrada da Baía de Guanabara como algo "merveilleux". Mas o uso consagrado em português, com status de epíteto oficial, pertence a Coelho Neto.

De Crônica a Hino

Em 1935, o compositor André Filho gravou a marchinha "Cidade Maravilhosa" para o Carnaval. A melodia grudenta e o refrão "Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil" explodiram nos alto-falantes dos blocos e nunca mais saíram. Em 2003, a música foi oficializada como Hino da Cidade do Rio de Janeiro por lei municipal.

Hoje, a marchinha toca em toda abertura de jogo do Maracanã, em cada Réveillon de Copacabana e até na chegada de voos internacionais ao Galeão. É o som que define a cidade tanto quanto o apito do juiz ou o batuque do surdo.

O Que Visitar Para Sentir Essa História

O Museu da Imagem e do Som (MIS), em Copacabana, guarda acervos fonográficos originais da era das marchinhas. O Theatro Municipal, no Centro, é contemporâneo de Coelho Neto e conserva a grandiosidade da Belle Époque carioca que inspirou o epíteto. E o Carnaval de rua, onde a marchinha é cantada por milhões, segue sendo a prova viva de que o título colou.

Quando Ir

Para ouvir "Cidade Maravilhosa" ao vivo, vá ao Carnaval (fevereiro/março) ou ao Réveillon (31 de dezembro). Fora da temporada festiva, o Theatro Municipal oferece visitas guiadas de terça a sábado, das 11h às 15h (R$ 20).

Para Quem É Ideal

Curiosos por história cultural, fãs de música brasileira, escritores e jornalistas buscando bastidores, e qualquer viajante que queira entender por que três palavras definem uma cidade de 6 milhões.

Mergulhe na história musical do Rio no nosso artigo sobre Samba: A História do Ritmo que Define o Brasil.

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