As ondas em pedra portuguesa de Copacabana foram redesenhadas por Burle Marx nos anos 1970, mas o padrão original veio de Lisboa no século XIX.
Nenhuma foto aérea de Copacabana ignora as ondas em mosaico de pedra portuguesa — preto e branco hipnótico ao longo de 4 km. Mas poucos sabem que esse calçadão tem duas vidas: uma lisboeta e uma carioca.
A Primeira Vida: O Rossio de Lisboa
O padrão de ondas em pedra calcária branca e basalto negro foi criado originalmente para a Praça do Rossio, em Lisboa, no século XIX. Quando a orla de Copacabana ganhou seu primeiro calçadão, nos anos 1900, o design foi importado diretamente de Portugal — uma herança colonial que se espalhava por calçadas de todo o mundo lusófono, de Manaus a Maputo.
Nessa primeira versão, as ondas eram menores, o traço mais contido, e o calçadão era estreito — uma calçada de passeio, não a avenida pedestre que conhecemos hoje.
A Segunda Vida: Burle Marx e a Revolução dos Anos 1970
Em 1970, o paisagista Roberto Burle Marx foi contratado pela prefeitura para redesenhar toda a orla de Copacabana. Burle Marx — o mesmo gênio que projetou os jardins do Aterro do Flamengo, o Parque del Este em Caracas e os terraços do Banco Safra em São Paulo — ampliou as ondas dramaticamente. O traço ficou largo, sinuoso, orgânico, imitando o vai e vem do mar. A calçada foi alargada para 4 metros e ganhou iluminação planejada.
O resultado é um dos projetos de paisagismo urbano mais reconhecíveis do planeta. A UNESCO reconhece Burle Marx como um dos maiores paisagistas do século XX, e o calçadão de Copacabana é considerado sua assinatura urbana mais visível.
Como Ver de Perto
Caminhe do Forte de Copacabana (Posto 6) até o Leme (Posto 1) — são 4 km que levam cerca de 50 minutos no ritmo de passeio. No Forte, a filial da Confeitaria Colombo serve café com vista para a praia, e você pode observar o padrão das ondas de cima, pela muralha do forte. Para fotos aéreas, o Mirante do Leme (trilha de 20 minutos) oferece o enquadramento perfeito do calçadão contra o mar.
Quando Ir
O calçadão é bonito em qualquer horário, mas a melhor luz para fotografar as ondas é no começo da manhã (6h-8h), quando o sol rasante cria sombras que acentuam o relevo das pedras. Aos domingos, a via mais próxima da praia fecha para carros e o calçadão se funde com a ciclovia — o momento mais vivo da orla.
Para Quem É Ideal
Amantes de design e arquitetura, fotógrafos urbanos, historiadores de fim de semana, e qualquer pessoa que queira caminhar por uma obra de arte de 4 km sem pagar ingresso.
Combine a caminhada com nosso guia completo da Praia de Copacabana.